A ameaça da COVID-19, doença transmitida pelo novo coronavírus, tem aumentado em todo mundo. A pandemia teve início na China, mas espalhou-se rapidamente por todos os continentes e vem trazendo sérios impactos para a saúde e a economia mundial. Os reflexos são percebidos no mercado global, inclusive nos setores de logística e transporte.

Em tempos de quarentena, nós da Opentech desenvolvemos este conteúdo para ajudar você, profissional da área, a ter uma breve visão do atual momento para o setor.

Devido ao isolamento social causado pela pandemia, observa-se um significativo aumento de compras por meio da internet para produtos das categorias de saúde, alimentos, bebidas e higiene/cuidados pessoais.

Já no varejo físico brasileiro, considerando somente o primeiro dia de isolamento voluntário (16 de março), o fluxo de clientes caiu de forma brusca, principalmente nas lojas de shopping. Segundo estudo realizado pela empresa de coleta e análise de dados de varejo, Seed Digital, a queda no fluxo de consumidores foi de 43%.

O cenário citado acima mostra uma crise instaurada no setor de varejo físico, mas, ao mesmo tempo, apresenta-se como uma oportunidade para que as organizações ajustem suas operações para atuação em meios digitais. Deste modo, empresas do comércio eletrônico têm buscado medidas de segurança na logística para preservar a saúde de seus funcionários.

A logística dos transportes no mundo vem enfrentando os dois extremos nessa crise: urgência e alta demanda em alguns segmentos como o alimentício e de medicamentos, contra falta de matéria prima e mão de obra em segmentos como o automotivo. Acreditamos que com esses desafios as empresas precisarão inovar e ganhar eficiência no processo logístico, o que trará bons resultados após a crise.

A Portaria 180, de 18 de março de 2020, publicada pela Secretaria de Estado de Saúde do Governo de Santa Catarina, autoriza a atividade do Transporte Rodoviário de Cargas apenas para necessidades básicas.

Segundo a Fetransesc – Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Santa Catarina, as empresas do Transporte Rodoviário de Cargas devem manter as atividades de transporte apenas para o suprimento básico da sociedade para evitar penalizações. Acima de tudo, devem priorizar o transporte de suprimentos básicos (alimentos, medicamentos, produtos essenciais para hospitais), sobretudo tomar todos os cuidados necessários para prevenção ao coronavírus.

A Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística) comunicou que o setor rodoviário ainda não foi afetado pelo coronavírus. “Em um momento de crise como este, o transporte rodoviário de cargas se torna ainda mais importante para o abastecimento das cadeias de suprimento”, diz o presidente da entidade, Francisco Pelúcio.

Em nota oficial, a NTC&Logística lembra que o transporte rodoviário de cargas é atividade estratégica e fundamental para o funcionamento da economia e o abastecimento da sociedade, inclusive, como agente intermediário com os demais modais.

“Precisamos dar continuidade as nossas atividades, mas, de forma segura e responsável. Não podemos permitir que aconteça o desabastecimento, principalmente de alimentos e medicamentos. É nossa responsabilidade social continuar operando da melhor maneira possível”, diz um trecho do texto.

Importação e exportação de cargas

Operações de importação e exportação estão sendo negativamente afetadas, pois o envio de mercadorias está comprometido. Docas, armazéns e portos chineses estão abarrotados de produtos a serem transportados, mas faltam mão de obra e veículos.

Algumas companhias estão sofrendo atualmente com uma grande limitação logística: falta de contêineres disponíveis para exportação, pois parte dos que foram enviados à China ficaram com cargas paralisadas no país em fevereiro e ainda não retornaram ao Brasil.

A paralisação de cargas nos portos chineses, definida pelo governo do país, foi uma medida de contenção do coronavírus. Em três semanas de paralisação das atividades portuárias já se registrava uma queda de aproximadamente 96% no movimento de contêineres. Os desembarques chegaram a cair de 50 mil/dia para 2 mil. Por consequência, operações em todo o mundo sofreram impactos, com reflexos na distribuição local dos produtos importados e um efeito cascata também no Brasil.